Revista Diário - 29ª Edição
integraram o governo Dilma, identificados por urna administra- ção ruinosa e por inegável participação em práticas ilícitas. Bolsonaro, ao seu tempo e sem alarde, iniciou um vertigi- noso crescimento de popularidade nas redes sociais, sendo re- cebido como "rock star" em aeroportos e aglomerações urbanas. Sua fala de repressão violenta ao crime, de prioridade no com- bate à corrupção e de retomada das pautas conservadoras cristãs atingiu os corações de uma imensa massa de brasileiros. Uma vez registradas todas as candidaturas, o cenário elei- toral revelava Geraldo Alckmin aliado aos partidos que outro- ra deram suporte ao projeto de poder pelista. Com um latifún- dio de tempo disponível no horário eleitoral, uma grande quantidade de recursos financeiros e uma equipe profissional de suporte político, o tucano mostrou-se pouco identificado com os anseios populares e manejou uma postura palatável apenas entre seus antigos eleitores bandeirantes. Foi rechaça- do ferozmente nas urnas. Ciro Gomes apresentou-se como uma opção hígida da es- querda, sendo ficha limpa e dotado de bom preparo intelectual. Desta vez não tropeçou em seu conhecido destempero emocio- nal, mas na incapacidade de aglutinar o voto socialista, perdendo apoio para o candidato ungido pelo já presidiário Luís Inácio. Ciro saiu da eleição muito maior do que se mostrava no início da corrida. De seu turno, Haddad trouxe aos pleitos a merecida fama de pior prefeito da história paulistana, um discurso distante das mi- norias sempre amparadas pelo Partido dos Trabalhadores e o ca- risma de um tijolo. Em seu favor uma única boa carta: a verdade! Sim amigo leitor, Haddad foi sincero em sua única promessa concreta: era o candidato de Lula e ponto final! Bolsonaro também foi verdadeiro durante a campanha: disse que não lhe pesava nos ombros qualquer histórico de corrupção e que pretendia tirar o PT do poder (sangrou por isso, vítima de uma tentativa de homicídio). No fim e ao cabo, ou melhor, "no fim e ao capitão", a vi- tória restou nas mãos de um político filiado a um partido na- nico, dotado de oito segundos de propaganda eleitoral, sem apoio de governadores e prefeitos, escarrado por parlamenta- res e defenestrado pela grande mídia. Sua ferramenta de cam- panha foi um celular e seu cenário um quarto de hospital, não frequentou debates com a mesma frequência que visitou mé- dicos e centros cirúrgicos. Alguns políticos parecem não compreender o óbvio: o povo brasileiro não está ávido por revoluções, ou esmolas governa- mentais. O cidadão deste país quer emprego, deseja empreender e contabilizar vitórias com seu próprio esforço. O brasileiro não perdoou a corrupção e segue sendo tão cristão quanto um século atrás, quer educar seus filhos por seus valores e prefere que de- bates sobre sexo não dividam o tempo em sala de aula com a matemática. O torcedor da seleção canarinha quer segurança pa- ra sair de casa e retornar em paz, defende a polícia e o empresá- rio gerador de trabalho (em detrimento de criminosos), já está cansado de sofrer no SUS e fica arrepiado diante de qualquer margem de inflação. O PT construiu programas sociais relevantíssimos, mas es- queceu de admitir os próprios erros e de expulsar de seus qua- dros os maus elementos, olvidou-se do mais elementar clamor dos trabalhadores: o emprego. A estrela vermelha foi ofuscada por seus próprios erros, ela criou Bolsonaro quando optou por ajudar ditaduras sanguinárias em Cuba e Guiné, ao invés de in- vestir pesado no comércio internacional sem viés ideológico. Sem as falhas pelistas seria impossível imaginar o atual ce- nário político brasileiro. Aliás, acho mesmo que Bolsonaro me- recerá um capítulo específico na Ciência Política. Não amigo leitor, eu não considero que o novo Presidente seja mais prepa- rado que outros líderes que habitaram o Planalto, simplesmente reputo como impossível que em qualquer outro momento al- guém reste eleito à Chefia de Estado com recursos tão parcos e uma retórica tão limitada. Esta eleição foi plebiscitária: o povo apenas disse não ao PT. Em 2022 será a vez de Bolsonaro enfrentar idêntico plebiscito, e as urnas revelarão se seu governo merecerá alguma continui- dade. Até o dia primeiro de janeiro qualquer análise do governo Bolsonaro é mero exoterismo vulgar, ninguém pode ser avaliado antes de iniciar suas funções. A única consideração viável neste ponto sobre a eleição na- cional é que as urnas regurgitaram as alianças espúrias e defe- nestraram a ineficiência do Estado. O povo agora clama por uma nova República e brada com ânimo inquebrantável seu desejo por três prioridades básicas: emprego, emprego e emprego! Revista DIÁRIO - Edição 29 - 37
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