Revista Diário - 18ª Edição
P Para os cientistas Leandro Castello e Maria Teresa, os problemas da Amazônia não estão restritos à região norte do país. "Se os rios secam, o transporte de grãos como a soja, que é exportada, pode ser interrompido, impac- tando a economia nacional. A seca nos rios também afeta a produção de energia elétrica em represas como Belo Monte. Se essas represas param, o Sul e o Sudeste podem enfrentar apagões", advertem. Outro pontoque preocupa os cientistas é a construçãode represas ehidrelétricas. "Isso só vai piorar os efeitos dasmu- danças climáticas e do desmatamento", aponta Castello. Se- gundoele,odesmatamentoemlarga escala faz comquechova menos e a reião ϐique seca. ̶ sso pode fazer com que a ϐlo - restada mazØnia se transformeemuma ϐlorestadecerrado̶, vaticina. Segundo o biólogo do Inpa, Philip Fearnside, as observa- çõesdeCastello sãoprocedentes. ParaFearnside, aconstrução das últimas hidrelétricas estão provocando impactos devas- tadoresnosistemahídricodaAmazônia.Consequências como a mudança no curso de migração dos peixes, assoreamento do leitodorio, impactos sociais esobreoprocessodeenchen- tes são lembradospelopesquisador. "Umdos grandes impac- tos é o bloqueio da imigração dos grandes bagres do rio Madeira, uma enorme fontede renda para apopulação, tanto no Brasil quanto na Bolívia e Peru. Esses não migram mais, porque não passam pelas barragens que foram construídas naqueleestado", enfatizouao lembrarqueosprejuízos são in- ternacionais.
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