Revista Diário - 17ª Edição

P ara DomLuiz Soares Vieira, a ascensão do argentino Francisco ao alto comando do Vaticano oxigenou a Igreja Católica, principalmente na revisão de conceitos e quebra de tabus, pondo fim à histórica discriminação à relação homoafetiva e à intensificação do combate à pedofilia por religiosos. “O Papa Francisco trouxe ares novos para a Igreja, novos tempos; ele aproximou as igrejas católicas romana e ortodoxa, viabilizou a aproximação de Cub a aos Estados Unidos e reviu conceitos e tabus; a Igreja tem seus princípios, que vêm da bíblia; por exemplo: nós não aceitamos a relação homoafetiva, mas a respeitamos, porque temos que compreendê‐los, recebê‐los, são irmãos nossos; ainda temos que entender o que é o homossexualismo; há muitos estudos, mas a ciência tem que dizer pra nós o que é; sabemos que não é doença. OPapa Francisco prega isso; não se pode agir como alguns agiram após aquele atentado em Orlando (EUA), que matou dezenas de pessoas naquela boate, quando muitos disseram que foi castigo deDeus, não é isso. Muitas pessoas preferem jogar pedras, mas não deveriam jogar pedras; Jesus não faria isso, ele acolhia os pecadores”, alertou. Dom Luiz relembrou com saudosismo os sete anos e meio de episcopado em Macapá: “Vivi anos bonitos aqui; andei o Amapá todo, fazendo viagens de 15, 20 dias às mais distantes comunidades; quando saí daqui e fui praManaus foi umchoque, porque aqui nossa região era mais rural, e me deparei com Manaus recebendo cerca de 40 mil pessoas por ano, uma coisa de doido; as boas lembranças permanecem, por isso sempre que euposso retorno aoAmapá”. Questionado sobre casos de pedofilia na Igreja Católica e sua ocorrência atribuída por muitos ao celibato, Dom Luiz retrucou: “O celibato é disciplina adotada em alguns ritos; nós somos do rito latino romano; há ritos emque não é adotado, como no grego, no eslavo e no ambrosiano, onde os padres se casam; a pedofilia não tem nada a ver com impedimento de casar; a pedofilia é uma anomalia que precisa ser combatida; é uma doença que precisa ser tratada, e a Igreja Católica está fazendo o seu papel, cuidando administrativamente e levando o caso à Justiça quando é confirmado; quanto ao celibato, inquestionavelmente ajuda muito o padre, porque ele passa a se dedicar integralmente ao povo”, finalizou. ● Democratizaçãoda IgrejaCatólica pelasmãosdo PapaFrancisco Revista DIÁRIO - Edição 17 - Ano 2016 - 59

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